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sexta-feira, 30 de março de 2012

O homem forte de Zé Teodoro



A recente história de renascimento do Santa Cruz se confunde, em vários pontos, com a chegada de Sandro Barbosa. Misto de auxiliar técnico e manager no Tricolor, o ex-atleta coral costumava afirmar, ainda como companheiro dos jornalistas do Superesportes, na bancada do programa diário da TV Clube, que “se eu entrar lá, coloco o clube de pé outra vez.” Desde que, enfim, voltou ao Arruda, no fim de 2010, encontrou a oportunidade de provar o que dizia. Atuando propositadamente como coadjuvante de um time até então vitorioso, Sandro tem na sua honestidade e parceria “extra-profissional” com os atletas o trunfo para garantir um posto diferente no futebol: o de amigo.

Depois da eliminação na Copa do Brasil, muito se falou em uma possível mudança no comando do Tricolor. Na versão de Sandro, tal fato seria um desastre para o clube. “Muitos atletas deixariam o Santa Cruz, pois acreditam no nosso trabalho”, garante. Na partida seguinte à triste derrota para o Penarol-AM, a vitória sobre o Belo Jardim marcou uma reviravolta no time. Atletas como Carlinhos Bala, Dênis Marques e Memo dedicaram o êxito ao técnico Zé Teodoro e a Sandro.

Os bastidores coral justificam o agradecimento a um “mero” auxiliar técnico. Afinal, é Sandro quem, muito além de falar a língua dos jogadores, está ao lado dos atletas dando garantias de tranquilidade, e o mais importante: fazendo o clube cumprir as obrigações. Desde a sua chegada, os salários são pagos em dia no Arruda. Sandro se orgulha ao pontuar tal fato.

Com ele na função de auxiliar, Zé Teodoro ganhou além de um companheiro nas decisões dentro de campo, uma voz que fala diretamente com quem manda no clube. Sandro conversa diariamente com o presidente Antônio Luiz Neto. Tem participação direta nas contratações. Quem entra e quem sai. Ninguém escapa de uma (longa) conversa com aquele que pode ser denominado um “faz tudo” tricolor. E para fazer tanto, e tão discretamente, o interessante é que o ex-capitão coral não tem sequer um contrato com o clube. Ele diz que quer ter a liberdade de sair quando quiser ou quando o presidente quiser, a qualquer hora.

ENTREVISTA COM SANDRO BARBOSA:

O que diferencia você dos demais auxiliares?
Normalmente o auxiliar técnico é taxado pelo jogador como traíra, coisa que eu não sou. Quem escala é o treinador. Não sou auxiliar, nem dirigente. Não sou nada. Estou aqui para uma passagem, não tenho carteira assinada, contrato, nem nada. É tudo de boca, na vontade de querer ajudar e mostrar que você consegue fazer futebol com honestidade, sem mentira, sem sacanear torcedores, jogador e diretoria. Estamos aqui para fazer trabalho transparente.

O que você faz além da sua função primária?
Sou o auxiliar que mais conversa com o presidente no Brasil. As contratações aqui no Santa Cruz passam por mim. Não damos luvas para jogador, não oferecemos apartamento, nem damos agrado a empresário nenhum. Não adianta oferecer luvas e depois ficar devendo o salário.

A que se deve tamanho respeito dos atletas com você?
Acredito que eles gostam de mim porque não tenho uma postura nem de auxiliar nem treinador. Tenho postura de capitão, de um jogador mais velho. Mostro a eles um lado diferente, como ele pode se dar bem na vida, o caminho que vai fazê-lo se dar mal.

O que mudou daquele que Santa Cruz de 2010 para o Santa de hoje?
Mudamos a postura de trabalhar futebol no Santa Cruz, com Ataíde (gerente de futebol) e Zé Teodoro. Se eu dissesse que não me sinto responsável por essa evolução aqui, vou estar mentindo. Sou humilde, mas estamos conseguindo mostrar a todos que é possível fazer bom time barato e pagando em dia. Tudo o que se promete aos jogadores é cumprido. Temos um trabalho aqui de um ano e meio. Não é uma derrota como a do Penarol que vai apagar tudo. Muito falaram do prejuízo de R$ 1 milhão e esquecem que demos ano passado lucro com venda de Gilberto, as rendas, o títulos, o acesso à Série C…

Qual a chance de você se tornar treinador?
Nunca posso dizer que dessa água não beberei. Peço a Deus nunca precisar trabalhar no futebol por necessidade. É um meio de inveja, mentira e desonestidade. Tenho muita fé em Deus de isso nunca acontecer.

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